quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Elegia das Florestas Secas

Peles castanhas de casca dura,
Troncos rijos de árvores silenciadas
Corpos envelhecidos pela usura,
Almas outrora verdes, agora cansadas

Uma flama que fulmina o firmamento,
Queimando biblicamente cada ramo do teu Verão,
Cristalizando o divino choro unguento
No teu tronco, que cortei com um machado na minha mão

Quero abeirar-me junto ao Inverno
Refrescar meu espírito febril,
Quero beber resina do cálice eterno
E renascer a cada chuva de Abril

Quero fazer a Terra girar sob o olhar invejoso do sol
Numa rotação inebriante,
E quero transformar o árido solo
Na mulher mais bela de qualquer floresta verdejante.